EUA e Israel X Irã - Estamos a beira de uma terceira guerra mundial?
Nos últimos dias as manchetes dos jornais têm abordado sobre os ataques dos Estados Unidos e Israel no Irã. E muitos tem me perguntado se estaríamos entrando na terceira guerra mundial. Em busca de uma melhor compreensão sobre o conflito que está ocorrendo na Ásia, decidi com base na reportagem de José Kobori fazer este texto explicando o atual cenário.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no início deste sábado dia 28 de fevereiro de 2026. Esse ataque não foi algo inédito e sem planejamento. Esse ataque é um planejamento dos EUA de longo prazo. Há uma busca estratégica de longa data, já demonstrada por arquivos dos EUA e da OTAN de interesse para a derrubada de sete governos de sete países do norte da África até o Oriente Médio. Esses países seriam, Líbia, Síria, Sudão, Somália, Egito, Líbano, Iraque e Irã. E eles já derrubaram a maioria. Só faltava o Irã. Em 2003 houve a invasão do Iraque, a Síria passou para aliado, mesmo que o seu atual dirigente, até a pouco tempo, estivesse sendo considerado como terrorista por ter participado da organização do ISIS, mas ao tomar o poder, poucos depois foi retirado da lista de pessoas perigosas dos EUA sendo até recebido na Casa Branca com honra de Estado. A narrativa de busca pelo fim do terrorismo e defesa de democracias se mostra pífia. A história do Irã, principalmente do período pós segunda guerra é uma prova concreta disso.
No período pós-guerra em 1951, o Mohammad Mosaddegh foi eleito como primeiro-ministro no Irã, e ele era muito popular. Ele trouxe direito a voto para mulheres, fez uma reforma agrária, buscava mudanças estruturais da economia, direitos e da sociedade. Um cenário bem diferente do atual vivenciado pelo povo Iraniano. De 1951 a 1953 ele tinha o discurso de que os recursos naturais do Irã, eram do povo Iraniano e suas riquezas deveriam ser compartilhadas em prol do desenvolvimento nacional. Sendo assim, ele aprovou de forma democrática a nacionalização do petróleo do Irã, o que não agradou as empresas britânicas que até então dominavam a região desde o império britânico. Isso se mostrou como uma afronta aos interesses imperialistas e de domínio de mercado pós-guerra. Nesta situação, o serviço de inteligência britânico e dos EUA promoveram um golpe de Estado e depuseram Mohammed Mossadegh em 1952. A partir disso foi instaurada a ditadura do Xá Reza Pahlavi. Ou seja, eles trocaram um regime democrático por um ditador. Contraditório não concordam? No entanto, esse discurso divulgado pela mídia de que os Estadunidenses estão em busca de espalhar a democracia pelo mundo é uma mentira, porque lá mesmo no Irã eles fizeram o inverso. Eles tiraram um governo democraticamente eleito, e instauraram um regime centralizado, um retorno à monarquia. O Xá ficou até 1979 a serviço dos interesses imperialistas. Em 1979 a revolução islâmica no Irã gerou um novo sistema de Estado mas que não trouxe a democracia. Houve a troca de uma ditadura por outra. Aliás os Trumpistas querem instalar no Irã o filho do Xá Pahlavi como novo monarca, ou algum outro líder de acordo com os seus anseios e não da sociedade iraniana. No entanto, eles não tem problema algum com ditaduras. O importante é separar povos, desmembrar organizações para dominar. Desde 1979 o Irã sofre com sanções, ocorrem várias tentativas de sufocar o caos econômico no Irã, justamente para que a sociedade se revolte ainda mais com o governo. É natural que uma economia debilitada se torne o ambiente perfeito para criar revoltas contra o governo vigente. Foi explicitado por Trump várias vezes na última semana para que o povo Irãniano tomasse conta do poder, gerasse desestabilização, como se esse momento fosse glorioso para o país. Cuba já faz gerações que sofrem embargos e sanções proibindo que países façam negócios com o país, forçando com que a sociedade viva de forma precária e debilitada. O EUA proibiu que o México exportasse petróleo para Cuba para tentar sufocar o país, e diz que o Estado Cubano está disposto a migrar de sistema, apesar de este não ser o maior foco das redes de comunicação atual.
Ficou marcado na história de que mesmo em meio ao momento em que estavam sendo feitas negociações para certificar que o Irã não iria desenvolver armas nucleares, ocorreu o ataque. O próprio lider de Omã estava otimista com as negociações, mas ficou claro que a busca pela paz não fazia parte dos interesses de ao menos uma parte dos lados.
Agora com esses ataques eles não querem instalar uma democracia, mas uma ditadura alinhada com os interesses dos EUA.
Mas o foco, o objetivo final não é somente alterar o governo do Irã, mas dominar a sua localização estratégica para sufocar a China, e impedir seus projetos de internacionalização de sua economia através de seu Plano a Rota da Seda.
A China para manter a sua economia pujante necessita de matérias primas de outros países e vem desenvolvendo infra estruturas e rotas comerciais em toda a Ásia, África e recentemente até mesmo na América do Sul com o financiamento e construção de portos, aeroportos, linhas férreas, pontes, obras de infraestrutura. Isso obviamente também trouxe um crescimento e disputa de mercado de Empresas dos EUA com empresas Chinesas extremamente acirradas. Não à toa foi bloqueado o canal do Panamá para com a China, forças dos EUA tomaram conta do canal, mesmo sabendo que estavam infringindo acordos anteriormente firmados com o próprio Estado Panamenho. Essas logísticas precisam ser arrancadas pelos EUA para sufocar a China sob o ponto de vista da Geopolítica. O domínio das rotas que passam pela Ásia até a China é de interesse de domínio de empresas dos EUA e alinhadas aos seus interesses. O ataque ao Irã é apenas uma jogada do tabuleiro, o objetivo final é outro.
Depois que houve a queda do antigo regime na Síria, o Irã se manteve como última pedra do sapato. Além do mais Israel tem o objetivo de ser hegemonia no Oriente Médio, além de ter o lado da profecia do grande Israel que dominaria do Nilo ao Eufrates (rio que está no Irã). O Irã é uma barreira nos interesses de Israel. Israel através de grande lobby exerce influência na política dos EUA, mesmo em sua Eleição Trump declarou que os EUA não iria participar destes ataques no Irã, e isso se tornou um pesadelo já que estamos próximos das próximas eleições.
O Irã busca prolongar essa guerra o maior prazo possível para enfraquecer a base Republicana nos EUA. Existe mesmo dentro dos Republicanos uma base a qual é contra esses ataques e que defende o discurso “américa first”, na necessidade de resolver primeiro problemas internos para depois se envolver em questões estrangeiras, o que tem causado um efeito de divisões de grupos, mesmo dentro do partido Republicano.
Além disso, existe a possibilidade de uma hora eclodir uma guerra dentro dos próprios Estados Unidos devido a atuação de movimentos como o ICE que tem causado revoltas dentro dos EUA.
Essa guerra, o governo Trump quer seja rápida, mas não é a primeira vez e nem será a última vez que ele diz algo semelhante que se prolongue visto a guerra entre Rússia e Ucrânia que se prolonga cada vez mais gerando discussões dentro dos próprios membros da OTAN que não foram notificados dos ataques e últimas medidas adotadas pelas forças armadas dos EUA e Israel.
Se essa guerra se prolongar, os Republicanos e Trumpistas tendem a perder participação na política dos EUA e quem sabe um novo cenário se iniciar. O Irã tem como resistir, visto que mesmo os Afegãos após anos dominados tiveram o antigo regime tomando o poder novamente.
A Estratégia de decapitação do líder do Irã do ponto de vista estratégico da forma como foi feita, não foi boa, pois isso vai despertar um sentimento de nação e união talvez muito maior entre a população iraniana, mesmo que muitos ainda não sejam adeptos ao regime interno de Estado. Existe então uma grande chance deste conflito se prolongar, mesmo que os EUA não tenha interesse em manter muito tempo esse esforço de guerra. Quanto mais essa guerra se prolongar, pior será não apenas para o Irã, mas para os EUA e Israel. No final o que está sendo feito é uma aceleração do declínio do império dos Estados Unidos.
Eu como pessoa, humano espero que esse conflito acabe logo e toda essa desestabilização do cenário mundial não aconteça ou, ao menos, diminua.
Mas não é a primeira vez que um império cai justamente ao atirar, e é o que os Estados Unidos estão fazendo. Os EUA é o grande agente do caos há muitos anos, gerando instabilidades econômicas em diferentes povos, embargos e desestabilização na política mundial. Torço para que isso não se prolongue muito e gere uma terceira guerra mundial.
A China a meu ver não tem interesse em se meter nesse conflito e desgastar sua economia neste momento com guerra e iniciar uma terceira guerra mundial. Ela me parece inteligente neste cenário atual e espero que se mantenha assim. Além do mais, vários países da OTAN não tem se mostrado dispostos a se infiltrar diretamente neste conflito. Espero que o próximo líder dos EUA chegue à conclusão de que os EUA é um país rico, e que vai continuar rico, mesmo não sendo uma potência hegemônica. O mundo caminha para uma multipolaridade e esse é o futuro da humanidade. Espero que como humanos continuemos evoluindo e continuemos realizando relações comerciais, culturais, sociais, acadêmicas, e esportivas de forma pacífica.
Mateus Granada Ribeiro
Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=NlD8_zuAYq4&t=696s
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eua-e-ira-iniciam-negociacoes-em-oma-em-meio-a-tensoes/
https://www.youtube.com/watch?v=PA03KKG38LM
https://www.youtube.com/watch?v=PA03KKG38LM
https://www.youtube.com/watch?v=hyQE984R78o
https://www.youtube.com/watch?v=d7apXwRg_XI

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